Na Vinil BH, loja histórica do bairro Floresta, o movimento de sábado à tarde lembra os anos 90. Mas a maioria dos clientes tem menos de 30 anos.
"Isso começou a mudar de verdade lá por 2022", diz Marcos, dono da loja há 18 anos. "Antes era raridade ver alguém jovem. Hoje, metade do meu movimento no fim de semana é de gente nova."
Mais que nostalgia
O fenômeno não é apenas nostalgia — afinal, a maioria desses jovens não cresceu ouvindo vinil. É algo diferente: uma busca por experiências mais intencionais, por objetos que existem fisicamente, por uma relação com a música que o streaming não oferece.
"No Spotify, eu ouço música enquanto faço outra coisa", diz Ana, 24, estudante de design. "Com o vinil, eu sento, coloco o disco, olho a capa. É um ritual. Parece que eu ouço de verdade."
O mercado responde
As gravadoras perceberam a tendência. Em 2025, as vendas globais de vinil superaram as de CD pelo quinto ano consecutivo. No Brasil, o mercado cresceu 35% no mesmo período. Artistas como Liniker, Emicida e Criolo lançaram edições especiais em vinil que esgotaram em horas.
Em BH, além das lojas tradicionais, feiras de discos mensais no Mercado Central e no Parque Municipal atraem centenas de pessoas. A próxima edição da Feira do Vinil BH acontece no dia 12 de julho.